Blindwood escrita por Taigo Leão


Capítulo 2
A cidade da calmaria




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As informações contidas neste arquivos eram muito semelhante à dos outros, mas uma notícia em específico chamou atenção de Elaine. Era sobre um incêndio que aconteceu 15 anos atrás, em uma pequena cidade não muito longe de onde mora agora.
O incidente, que ocorreu no maior hotel da cidade, que era um dos grandes pontos turísticos da região, até hoje é algo sem precedentes. Além das pessoas que conseguiram escapar do hotel, 28 morreram e 13 estão desaparecidas. Ninguém sabe como tudo começou e o caso foi encerrado.
Elaine leu esse artigo mais de uma vez. Cada palavra, cada frase. Essa notícia chamou sua atenção. Blindwood. Será isso?
Ela ligou seu computador e jogou essa palavra no navegador, procurando o máximo de informações possíveis.
Blindwood. Hotel. Incêndio.
Elaine não achou muita informação em grandes sites, talvez por ser algo mais antigo. O incêndio ocorreu em 1995. Mas em alguns sites, como fóruns, achou pessoas falando sobre.
— O incêndio foi causado pelo dono do hotel.
— Tudo faz parte de um culto misterioso.
— Cara, Blindwood? Sério, eu prefiro voltar para a igreja. Nunca na sua vida vá até este local. Você literalmente irá morrer. Mas de tédio.
No meio de todos os comentários deste nível e mais abaixo, inclusive alguns de pessoas que parecem realmente odiar o local, Elaine achou algo curioso.
Seis meses após o incêndio, os moradores da cidade decidiram reconstruir o hotel no mesmo local do antigo, inclusive mantendo o mesmo nome, para tentar atrair os turistas novamente. Não funcionou muito bem, mas o hotel existe até hoje.
Elaine sentiu que devia ir até este lugar.
Talvez lá esteja o que ela procura. Blindwood até hoje não teve um culpado pelo incêndio e o caso foi arquivado. Já são 15 anos desde que o incidente ocorreu e ninguém mais fala sobre isso. A cidade outrora conhecida por ser um grande ponto turístico, hoje é conhecida apenas pelo grande incidente. Chariotte hotel. Mas... O que de fato realmente aconteceu? O que os jornais da época não conseguiram pegar? O que os moradores guardaram para si? Quem causou tudo isso? Muitas perguntas passaram pela cabeça de Elaine, que anseava por respostas e faria de tudo para encontrá-las. Ela olhou para aquele arquivo por algum tempo e uma única idéia passou pela sua cabeça. Essa idéia se fincou em sua mente e não sairia dali por nada, ela sabia que não. Ela precisava de um culpado. Ela necessitava de respostas e só havia um jeito de conseguí-las e colocar um fim nisso tudo. Ela iria para Blindwood.
Elaine foi para sua cama e adormeceu pensando em todos os arquivos que lhe fizeram companhia no decorrer do dia. Eram tantos incêndios que sentia como se seu próprio corpo estivesse quente agora. Ela conhecia a sensação. Em seus sonhos o fogo parecia real o bastante para lhe fazer tomar cuidado ao se movimentar, mesmo sabendo que vai acordar a qualquer instante. Era um medo irracional, ela sabia que sim. Mesmo assim preferia evitar, a sensação era horrível mesmo sabendo que não passava de um sonho. Tudo isso era um sonho...
Nesta noite Elaine não sonhou. Quando acordou, só tinha um pensamento na cabeça: iria "tirar férias". Ela ligou para Johny.
— Johny, bom dia.
— Oi querida! Como está?
— Preciso de um favor. Irei até uma cidade próxima daqui atrás de algo.
— Hmm... – Johny se estendeu no som que emitia, compreendendo o que estava acontecendo.– Pelo visto você achou o que procurava.
— Talvez sim... Se eu realmente estiver procurando por algo... Só saberei quando encontrar.
— Eu posso cuidar de tudo por aqui, então vá sem preocupações. Se precisar de algo, fale comigo... Mas afinal, para onde você vai?
— ... Blindwood.
— Você acha que encontrará algo lá...? Boa sorte. Leve roupas frias e dirija com cuidado. Dizem que a neblina é um inferno. Você sabe, desde o incidente de 15 anos atrás, essa névoa preenche todos os cantos daquele lugar...
— Obrigada, querido.
Elaine desligou o telefone após agradecer. Agora ela faria sua mala e iria até aquela cidade. Aquele local.
Ela pegou a chave de seu carro azul e seguiu viagem até Blindwood, levando o mapa para não se perder. O caminho não era complicado. Blindwood ficava em um vale entre algumas montanhas e cercado por uma floresta. Só há um jeito de entrar, através de uma estrada que corre entre as montanhas. Assim que estivesse nessa estrada, não tinha como se perder.
Elaine dirigia lentamente enquanto observava a paisagem. Ela também estava se lembrando de tudo que conseguiu pesquisar sobre Blindwood, além do que já sabia: A cidade costumava ser um grande ponto turístico, sempre cheio de pessoas e alegria, mas após o acidente, tudo mudou. Talvez pela forte impressão causada pelo incêndio, que não teve uma solução certa ou pela construção do novo hotel no mesmo lugar do antigo, forçando todos a tentarem esquecer o que aconteceu. O que importa é que a neblina começou, moradores abandonaram a cidade e ela não é mais um palco de turismo. Era apenas a pequena Blindwood, ainda menor do que costumava ser. Dentro de um vale, cercada por montanhas que a "protegem" do mundo exterior. O que deve acontecer ali? Quão pouco as pessoas sabem sobre aquele lugar?
Quando se aproximou das montanhas, Elaine sentiu um frio na espinha e pareceu ficar um pouco preocupada. Ela realmente estava largando sua casa e seu trabalho para ir atrás de um sonho. Um sonho recorrente que atormentara e lhe deixou impaciente nos últimos dias.
— Descobrirei a verdade por trás deste incêndio. Trarei pessoas de volta para a pequena cidade.
Elaine disse isso para si mesma para tentar se conformar. Na realidade, ela não entendia porque sentiu essa forte vontade de ir até aquele local. Ela só sabia que precisava ir até lá, quem sabe assim os sonhos cessariam, quem sabe assim ela conseguiria um pouco de paz.
Após atravessar as montanhas, a neblina cobriu completamente sua visão, fazendo com que ela não conseguisse olhar o que estava em sua própria frente tranquilamente. Elaine já conseguia ver a sombra de algumas árvores ao seu redor, então já estava cortando a floresta. Ela ligou a lanterna do carro e tentou olhar para o céu, mas a neblina a impedia de conseguir fazer isso. Elaine viu algo a esquerda na estrada e quando seu carro chegou mais próximo, conseguiu distinguir aquilo e ler com precisão. Era uma placa na estrada: "Bem-vindos a Blindwood. A cid**e da b***** e calmaria." O anúncio estava um pouco riscado, então ela não conseguiu indentificar bem o que estava dizendo.
— Blindwood. A cidade da calmaria.
Elaine também viu uma pichação embaixo da última palavra da frase. "Saia daqui." "É o melhor." Aquilo chamou sua atenção. Em vez de espantá-la, ela sentiu que gostaria de chegar logo até aquele lugar. Ela estava ansiosa e acelerou um pouco seu veículo. Uma péssima escolha diante da neblina que lhe cercava.
Seu carro bateu em algo, era um muro.
— Droga.
Ela desceu do carro e tentou ligar para um guincho, mas seu celular estava sem sinal. Sem escolha, ela olhou a sua volta e viu uma cabine de guarda bem próxima de onde havia batido o carro, então correu até lá mas a cabine estava vazia. Um pouco suja também. Elaine notou que o portão de entrada da cidade estava logo ao lado da cabine e resolveu entrar, mas antes voltou para seu carro e pegou sua mala, então entrou na cidade da calmaria, procurando alguém que pudesse lhe ajudar naquele momento. Maldito seja este nome, a cidade realmente estava calma. Elaine não escutava barulhos, não via nada. A neblina não estava tão forte quanto na estrada, mas ainda era visível. Após andar duas quadras, Elaine viu um estabelecimento que parecia estar aberto. As luzes estavam acesas. Ela foi até lá e empurrou a porta. Era um bar.
Diferente de como parecia por fora, talvez pela neblina, o bar era maior do que Elaine imaginava que fosse. Todo feito de uma madeira escura. Ao lado direito de Elaine estava o balcão e ao seu lado esquerdo, pequenas mesas circulares de madeiras que iam até o fundo do estabelecimento. Do outro lado do balcão havia uma escada que levava para o andar superior, que era completamente visível dali, do lado de baixo. Era igual a parte inferior, com as mesas e cadeiras, mas um pouco mais privativo, talvez. Um homem e uma garota estavam atrás do balcão. O homem secava copos enquanto a garota organizava algumas coisas. Além dos dois, haviam mais 10 pessoas naquele bar. Estava pouco movimentado e apenas duas ou três pessoas notaram que havia entrado alguém ali. Uma dessas pessoas era a garota que organizava coisas.
— Bem vinda! – Ela disse, parecendo um pouco nervosa mas sorridente.
— Olá. Acabo de chegar aqui.
— Eu percebi, por isso o "Bem vinda". Vamos, sente-se aqui.
Elaine obedeceu, sentando em um banco próximo a garota e deixando sua bolsa em outro banco, ao seu lado.
— Sabe, é difícil pessoas aparecerem aqui. Como se chama?
— Meu nome é Elaine Campbell. Sou jornalista. Na verdade, preciso de ajuda. Acabei acertando o muro com meu carro e agora não consigo mais ligá-lo.
— A neblina pega todo mundo de surpresa no começo, mas logo você se acostuma. E prazer Elaine, eu sou Sarah Bove.– a garota terminou de arrumar o que estava arrumando e apontou para um homem no fundo do estabelecimento.– Vê aquele homem? Ele é o mecânico da cidade. Por quê não vai falar com ele?
Elaine olhou bem para aquele homem, que estava tão concentrado em sua comida que nem notara que a garota no balcão apontava para ele e a outra o fitava. O homem nem mesmo notara quando Elaine se levantou e caminhou em sua direção. Talvez estivesse completamente concentrado na refeição e no jornal que estava lendo ou simplesmente não se importava com a situação que o rodeava. Era um homem forte e careca, com um grande bigode e uma barba rala, por fazer. Possuía cara de poucos amigos, mas pelo pouco que Elaine conseguiu observar, todos naquele bar, com exceção da pequena Sarah Bove, possuíam essa expressão no rosto.
— Olá. Me disseram que você é mecânico.– Elaine se aproximou do homem carregando sua mala consigo. Ela parecia um pouco nervosa.
— Me disseram que você acabou de chegar. Forasteira.– O homem disse sem tirar os olhos do jornal. Sua voz era grossa.
— Te disseram? – Elaine olhou em volta. Ela estranhou a frase pois jurava que desde que chegou, nenhum dos clientes se movimentou de uma mesa para outra e aquele homem estava completamente sozinho.
— Bom... – O homem dobrou seu jornal e finalmente olhou para Elaine, seus olhos eram expressivos.– Uma mala nas mãos e procura por um mecânico no meio dessa neblina. O que você espera?
— Então não preciso me prolongar muito aqui. Sou Elaine Campbell e sim, acabei de chegar. Bati meu carro contra o muro e agora ele não liga. Foi isso que aconteceu. Você pode me ajudar ou não?
— Elaine Campbell. Estou um pouco ocupado aqui, como você pode ver... Mas se puder me dar a chave de seu carro eu poderei ver o problema e a ajudarei sem problemas, afinal vejo que você realmente acabou de chegar e o acidente não foi sua culpa. Você apenas não está acostumada com a neblina. E não se preocupe, estamos em uma cidade pequena demais para eu roubar o seu veículo, então você pode confiar em mim por mais que pareça que não. Sou um completo desconhecido, um pouco bruto talvez, mas sua única opção neste momento.– o homem esticou sua mão na espera de receber a chave do carro.
— Ele tem razão.– Sarah Bove se aproximou com uma bandeja em que carregava um copo de café e um pedaço de pão.– Confie nele, ele é bom no que faz.
— Eu irei com você.– Elaine disse, ainda receosa.
— Não há necessidade disso. Você acabou de chegar e a menina trouxe algo para você se alimentar. Não seja pretensiosa, sente-se e coma, logo eu volto com a chave e a forma de resolvermos isso.
Elaine ainda estava receosa, mas por alguma razão sentia que poderia confiar en Sarah Bove. O homem que nem se deu ao trabalho de se apresentar não passava grande confiança e era o que lhe preocupava. Mas se Sarah confiava, então Elaine também poderia. Ele era um mecânico e a única opção nesse momento. Ela entregou a chave e começou a comer.
Quando o homem saiu do estabelecimento, Sarah Bove pegou algo que carregava embaixo da bandeja e entregou para Elaine. Era um mapa de Blindwood.
— Vejo que você acaba de chegar então acho que isso pode ser interessante para você. Uma pena que tudo tenha mudado por aqui, mas você pode aproveitar uma coisa ou outra. Sabe, a cidade é pequena mas tem seus pontos positivos.
Elaine pegou o mapa e o abriu. Não era tão grande assim, realmente aquela era uma cidade pequena.
— O que você procura por aqui? Ou só está de passagem? – Sarah Bove se sentou junto de Elaine, olhando para trás para ver se o dono do estabelecimento não acharia ruim, mas como ela imaginou, ele nem notou que ela não estava mais ali.
— Eu estou de passagem, mas gostaria muito de conhecer... Este lugar.– Elaine passou os olhos pelo mapa procurando por algo. Quando achou, colocou seu dedo por cima de um quadrado pequeno onde estava escrito "Chariotte Hotel". Não era tão longe da entrada na cidade.
Sarah Bove colocou seus olhos no mapa com a mesma expressão com que olhava para Elaine. Ela estava alegre, com um pequeno sorriso simpático que já lhe diferenciava de todos os outros que estavam naquele lugar. Ela observava bem Elaine, que não era de Blindwood. Se perguntava de onde ela veio e o que costumava fazer. Se ela veio para ficar ou apenas caiu ali, como muitas outras pessoas. A mala nas mãos... Ela está fugindo de algo? Sarah olhou a tempo de ver o dedo da forasteira passear pelo mapa, procurando por um lugar específico, e sua expressão mudou um pouco quando viu o local onde o dedo foi estacionado. Era aquele local.
— Chariotte... Hotel. – ela leu em voz alta o que estava escrito ali. – Sabe, é um belo local... Você deve se hospedar lá.
— Eu gostaria de saber sobre o que aconteceu anos atrás.
— O que... aconteceu...?
Após a pergunta de Sarah Bove, a porta do estabelecimento foi aberta de uma forma um pouco grosseira e rangeu de uma forma que mesmo ali, no fundo do estabelecimento, deu para escutar. Era o homem mecânico, que já havia voltado e se aproximava das duas mulheres na mesa em que ele deixou seu jornal, que ainda estava dobrado.
— Elaine Campbell. Serei sincero com você: o motor de seu carro está danificado e não tenho aqui a peça necessária para trocá-lo agora. Veja bem, esta é uma cidade pequena e os carros aqui não são tão novos como o seu. Eu colocar uma peça antiquada, de um ano que não é o do seu veículo é algo inimaginável, veja só. Pode significar uma catástrofe, algo muito ruim e eu como um bom mecânico, talvez o melhor dessa cidade (afinal eu sou o único), não posso permitir uma coisa dessa. Neste momento eu posso abrir um pedido e a peça chegará até mim dentro de três a quatro dias, neste dia então eu poderei consertar o seu veículo e lhe devolvê-lo da mesma forma que estava quando você veio até este lugar, talvez até melhor. Eu o pegarei com meu guincho e levarei até minha oficina. Vejo que você está com um mapa, então você poderá me achar quando quiser. Apareça quando quiser e verá o seu veículo, e não se preocupe. Quando estiver pronto eu lhe acharei para entregá-lo. A cidade é pequena, bem pequena. Neste dia então, poderemos acertar a conta por esse serviço, não se preocupe. Temos um acordo?
O homem esticou sua mão esperando que a jornalista apertasse, selando assim o acordo. Foi o que Elaine fez. Apertou a mão do homem, olhando em seus olhos e não pôde deixar de sentir como a mão daquele homem era áspera e grossa. O homem recolheu o seu jornal e se retirou dali, se despedindo silenciosamente fazendo um movimento com sua cabeça para as duas mulheres.
Elaine saiu logo em seguida, seguindo o homem até o lado de fora e chegando a tempo de ver o carro com guincho entrando do portão principal carregando aquele carro azul e sumindo no meio da neblina até que sua lanterna não pudesse mais ser vista, muito menos sua sombra. Ela então voltou para dentro do estabelecimento e Sarah Bove ainda estava sentada na mesma mesa, aguardando seu retorno. Elaine sentou e terminou sua refeição, agradecendo e oferecendo pagamento, mas Sarah insistiu que era por conta da casa; cortesia para os forasteiros.
Elaine então saiu daquele local com sua mala e seguiu as instruções que Sara lhe deu. Ela estava com a mala em uma das mãos e o mapa na mesma mão.
— Vire na terceira rua à esquerda e você o verá. – Essas foram as palavras ditas por Sarah Bove, referente a localização do hotel. Elaine as obedeceu.
Durante seu caminho, a jornalista viu algumas pessoas caminhando pelas ruas, realmente aquela não era uma cidade fantasma, inclusive a neblina já havia cessado um pouco. Mas logo voltaria, como alertou Sarah: A neblina vai e volta a todo momento. Algumas vezes mais forte do que outras.
Por onde caminhava Elaine apenas conseguia ver estabelecimentos que pareciam estar abandonados. Aquele parecia ser o centro comercial, mas algo mal cuidado, algo inóspito. Mesmo assim, haviam algumas pessoas pelas ruas, indo para lá e para cá seguindo os rumos de suas pequenas vidas. A maior parte das pessoas estava com algum tipo de casaco. Fazia frio em Blindwood, mas Elaine não estava com um. Seu corpo já estava começando a ficar gelado. Ela notou que nenhuma das pessoas olhou para ela, que carregava aquela mala consigo e imaginou se realmente ninguém notara que ela estava ali. Se esse fosse o caso, não fazia mal. Ela finalmente virou na esquina e conseguiu ver aquele prédio enorme. Era ele. Não havia uma placa ou algo do tipo, mas era ele. Chariotte Hotel.
Elaine se aproximou e empurrou a porta que rangeu um pouco, ela estava no saguão principal. Era algo grande e bonito, mas não havia ninguém ali. As luzes estavam acessas e dava para escutar uma música ambiente de fundo, era algo que deveria ser agradável, mas Elaine sentiu sono. Ela se aproximou do balcão e apertou a campainha na esperança que alguém aparecesse, mas isso não aconteceu. Ela largou sua mala ali no chão, próximo ao balcão e começou a olhar em volta. Ela viu quadros e se aproximou dos mesmos, eram paisagens abstratas. Ela se aproximou do quadro do meio, que parecia uma cidade no meio de algumas montanhas, mas o céu estava cinzento, parecia sem cor, algo neutro. Era este um retrato de Blindwood?
— Posso ajudá-la?
A voz veio de trás de Elaine. Ela nem notou que alguém havia se aproximado. Era um homem alto e magro que usava um chapéu amarelo escuro, talvez ele fosse um dos funcionários do hotel. Sim, ele definitivamente era um funcionário do hotel. Elaine se assustou quando o escutou.
— Sim, eu gostaria de alugar um quarto.
— Você quer ficar no primeiro, segundo ou quarto andar?
— Não posso escolher o terceiro?
— O terceiro andar está permanentemente proibido. Houve uma inundação e o elevador está quebrado. Ele simplesmente não para neste andar.
— Eu posso usar as escadas.
— Primeiro, segundo ou quarto?
— Quarto. Ficarei no quarto andar.
— É uma boa escolha.– Disse o homem.
Ele foi para trás do balcão e pediu um documento de Elaine, então começou a anotar em alguns papéis que pegou ali antes de devolver o documento. Logo em seguida, o homem pegou o pagamento que Elaine lhe ofereceu. Era o suficiente para duas semanas naquele lugar. Após contar as notas e ver que este realmente era o valor, o homem levantou uma sobrancelha, se revelando um pouco surpreso pela quantia. Ele então pegou uma chave, a mala de Elaine e pediu para ela o seguir. Eles foram até o elevador e de lá foram para o andar devido.
— Algum conselho sobre o prédio?
— Conselho...? O que consigo te dizer agora é que existem pessoas que moram por aqui, o resto você vai descobrindo com o tempo... Pode parecer estranho de início, mas logo você se acostuma.
O elevador chegou no quarto andar e Elaine se espantou de início, não conseguindo caminhar assim que a porta se abriu. Era um corredor branco que passava a impressão que se seguia infinitamente, com alguns outros corredores que cortavam esse e algumas portas marrons que eram exatamente iguais a próxima, com uma espécie de marcação nas mesmas e algumas decorações como quadros entre algumas portas e outras. Eles foram caminhando por aquele corredor e viraram no segundo que cortava aquele. Agora Elaine estava mais calma e conseguia ver mais detalhadamente, seguindo o rapaz e a decoração monótona. 414. 415. 416. 417. 418. 419. Era esse. O homem parou e estralou os dedos antes de pegar a chave em seu bolso e abrir a porta.
— Esse é o seu quarto. Bem-vinda a Blindwood.
Elaine entrou.


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